Como enfrentar a nova crise?

37 anos separam a primeira edição do Rock em Rio aos dias de hoje. Em 1985, era tempo de uma outra grande crise política e econômica. Dentro desse momento caótico, o empresário brasileiro, Roberto Medina, agora com 74 anos, idealizou o Rock In Rio, entre os dias 11 e 20 de janeiro, bem nesse período em que escrevo esta coluna.

Esse evento foi considerado o divisor de águas na história da música brasileira, colocou o país na rota dos shows internacionais e mostrou a força da música brasileira, principalmente, porque nessa época estávamos restritos ao conhecimento dos artistas que tocavam nas rádios da época, ainda não tínhamos acesso aos streamer, onde escolhemos a que assistir e o que ouvir.

Mas o que isso diz respeito aos dias de hoje e a imprensa, qual foi sua contribuição?  Medina apresentou sua ideia em uma reunião, na agência de publicidade ARTPLAN, estava presente Cid Castro, o mesmo que desenhou a marca do Rock in Rio, que escreveu o livro “Metendo o Pé na Lama”, que entre os presentes, 2% ficaram ufanistas, 8% entusiasmados e 90% saíram céticos (incrédulos e duvidando daquela ideia).

Mesmo com as perspectivas nada animadoras, tanto nos custos e como nas receitas, Medina saiu à procura de patrocinadores e a cervejaria Brahma deu esse apoio inicial necessário.

Somente o apoio não bastava, necessitava de bons nomes de músicos e para isso contou com a ajuda do jornalista, Luiz Antonio Mello, que dirigia a rádio Fluminense FM do Rio de Janeiro, isso ainda em 1984.

Medina viajou para Nova York ao lado do produtor Luiz Oscar Niemeyer e do empresário OscarOrnstein e se depararam com as desconfianças em relação ao Brasil. Devido a vários problemas que bandas famosas tiveram em suas passagens pelo nosso país. Durante os 70 dias, em que participaram de mais de 70 reuniões com artistas, não obtiveram nenhum sucesso, todos achavam que seria mais um grande calote brasileiro.

A esperança reacendeu, quando Lee Soltteres, empresário de Frank Sinatra, deu a dica: Organizar um evento com os 70 jornalistas mais influentes dos EUA, assim aconteceu e, nesse evento, foi passado todo o croqui do evento, suas expectativas e garantias. No dia seguinte, com a confiança dos jornalistas, os principais veículos de comunicação americanos espalharam a boa nova de que o Brasil estaria organizando o maior festival de música de todos os tempos.

Com essa ajuda, a confiança das bandas no projeto se tornaram reais e os artistas passaram a aceitar os convites, a primeira banda a aceitar foi Ozzy Osbourne e logo em seguida o Queen.

Existia um outro problema, o Brasil não tinha equipes de técnicas para todo o evento, assim Medina acertou com as bandas que os shows seriam à noite e que todos poderiam trazer suas próprias equipes de profissionais de som e de luz, isso fez a qualidade das apresentações se elevarem e ainda reduziu os custos de contrato com os artistas.

Medina teve um sonho que hoje é o sonho de muitos jovens participarem, isso aconteceu em um momento difícil, semelhante ao que vivemos hoje, e não desistiu, insistiu e contou com a ajuda da imprensa para sua concretização. Lembremos esse exemplo, vamos em frente na nossa busca, nosso comércio está novamente às vésperas de novos problemas, não esperemos sentados, criemos nossa própria solução. Iniciemos uma conversa com nossos familiares, colaboradores, amigos e vizinhos para encontrarmos os caminhos. Como Medina, o sonho não se realiza sozinho, mas com boas pessoas envolvidas, no mesmo sonho, pode-se encontrar uma boa solução.

Obs. O primeiro Rock In Rio deu 8 milhões de prejuízo e o de 2022 vendeu 220.000 ingressos em uma hora e meia e deixou 800.000 na fila de espera.

O sucesso nem sempre ocorre na primeira vez, mas é construído com o tempo.

Boa semana e fique atento às oportunidades!

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